O projecto de resolução do PSD sobre a avaliação dos professores e o novo estatuto da carreira docente foi hoje aprovado no Parlamento. O documento contou apenas com os votos favoráveis dos social-democratas e com a abstenção do PS e dos restantes partidos da oposição.
Já os outros sete diplomas da oposição, que visavam suspender o actual modelo de avaliação e acabar com a divisão da carreira docente em duas categorias hierarquizadas, foram chumbados – o que levou a declarações de voto orais por parte do BE, PCP e CDS que criticaram o PSD por só ter deixado passar a sua proposta e ter inviabilizado as da oposição.
O diploma do PSD recomenda ao Governo o fim da divisão da carreira em duas categorias e a criação de um novo modelo de avaliação no prazo de 30 dias, além de defender que no primeiro ciclo avaliativo, que está a terminar, não haja professores penalizados em termos de progressão da carreira devido a diferentes interpretações da lei.
Recorde-se que uma das questões que levantou mais polémica no modelo foi o facto de alguns professores terem entregado os seus objectivos individuais e outros não, sem se saber o que aconteceria a estes últimos.
Público - 20NOV2009
Ministério da Educação, sindicatos dos professores e partidos da oposição parecem estar de acordo quanto ao futuro do modelo de avaliação docente ainda em vigor: já não deve surtir efeitos para o ciclo que começou em Outubro e se prolongará até 2011. Apesar desta base comum, a divisão instalou-se. Em causa está uma palavra. Suspensão. Amanhã os projectos da oposição vão a votos no Parlamento.
O PÚBLICO ouviu os deputados que acompanham os assuntos da educação e confirmou que, independentemente da forma proposta, entre os que deixaram cair a palavra suspensão (PSD) e os que a mantêm (CDS-PP, BE e PCP), existe consonância quanto aos efeitos propostos. Apesar das trocas de acusações dos últimos dias, os partidos da oposição estão de acordo não só que o modelo actual já não deve produzir efeitos para o segundo ciclo; como defendem que do primeiro ciclo, que se conclui em Dezembro, não devem decorrer penalizações para os professores.
Coincidem também na constatação de que em relação a este ciclo "já não há volta a dar", segundo a expressão de Manuel Tiago, do PCP. É possível gerir danos, mas já não suspender, confirmam também Ana Drago, do BE, e Diogo Feio, do CDS/PP. Pedro Duarte, do PSD, argumenta que foi esta constatação que levou o seu a partido a retirar a palavra "suspensão" do projecto que apresentou no Parlamento: manter esta exigência "implicaria uma suspensão imediata do 1.º ciclo".
O PS elogiou, os outros partidos da oposição acusaram a "cedência". Mas Pedro Duarte insiste que, quanto ao futuro, o PSD é intransigente: "Nem pensar em aplicar o modelo" que está em vigor. Ontem, o Ministério da Educação confirmou aos sindicatos que serão dadas instruções às escolas para que cessem procedimentos a seguir relativamente à avaliação dos professores, que sejam "eventualmente desnecessários para o futuro", uma vez que irá ser negociado um novo modelo.
"Chame-se parar ou suspender, o que importa é que este modelo não produza quaisquer efeitos para o segundo ciclo", defende Diogo Feio. "O que importa são os efeitos. Se não se quer chamar suspensão, que não seja por isso que não se avance", corrobora Ana Drago, do BE, acrescentando: "Pode haver uma alteração de linguagem desde que o fundamental esteja fixado".
Votação amanhã
Manuel Tiago, do PCP, recusa que se trate apenas de uma questão semântica e insiste na necessidade de a Assembleia da República assumir responsabilidades e votar, amanhã, a suspensão. "As palavras da ministra não são lei. E para que as leis sejam anuladas é preciso que exista uma outra lei que o faça".
Uma proposta para amanhã do deputado comunista:"Os projectos complementam-se uns aos outros. Podiam ser todos aprovados Era uma boa coisa". "É natural que havendo convergência, as votações sejam convergentes, aguardemos", recomendou Diogo Feio.
O líder parlamentar do PSD, Aguiar-Branco, remeteu uma decisão sobre o sentido de voto para hoje. Ontem apenas sublinhou que o projecto "laranja" "é o melhor" e referiu-se-lhe como se já tivesse sido aprovado: "Iremos estar vigilantes quanto ao bom cumprimento do projecto de resolução". Já Ana Drago considera que, depois das informações ontem transmitidas pelo ME, "a bancada do PS deve fazer parte da solução". "Vamos apenas analisar as propostas que estão em cima da mesa", informou a vice-presidente da bancada do PS, Manuela de Melo.
Público - 19NOV2009
O presidente da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), Ricardo Silva, considerou “muito negativa” a intervenção da ministra da Educação, a quem avisa que, “se quer serenar as escolas, tem de dizer claramente que vai acabar com a divisão da carreira entre professores e professores titulares” e anular “os efeitos das classificações obtidas no primeiro ciclo avaliativo”.

Sublinhando que “de palavras vagas e promessas de diálogo estão os professores fartos”, Ricardo Silva classificou como “inacreditável” a atitude de Isabel Alçada. “Os professores precisam de paz, de cicatrizar feridas, e isso exigia que tivesse assumido hoje mesmo o fim da divisão da carreira”, frisou, considerando que, “pelo contrário, a ministra deu um muito mau sinal ao fazer referência à formação dos avaliadores”. “Quem são estes avaliadores? Os titulares? Não aceitamos esta divisão, que foi feita com base num concurso injusto e indigno”, avisou.
Em declarações ao PÚBLICO, o presidente da APEDE disse acreditar que está falar em nome de todos os movimentos independentes de professores quando afirma, também, que estes “não aceitam que sejam tidas em conta para a progressão na carreira e para efeitos de concurso as classificações obtidas no primeiro ciclo avaliativo”. Isto, argumenta, porque “as quotas para os ‘muito bom’ e ‘excelentes’ foram para os professores que ocuparam as vagas deixadas em aberto pelos colegas que nesse momento lutavam contra um modelo de avaliação que é uma farsa”.

Excelentíssimo senhor primeiro-ministro:
Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telemovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS: "Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão." O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.
Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a "Face Oculta", essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.
Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do País. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também.
Atentamente, JMT.
O Bloco de Esquerda defendeu hoje (26OUT) um consenso na Assembleia da República para acabar com o actual modelo de avaliação dos professores e criar uma alternativa que sirva para avaliar todo o sistema de ensino.
"É preciso começar a trabalhar num novo modelo de avaliação e não este, que só servia para penalizar os professores", disse a deputada Ana Drago, no final de uma reunião com representantes de três movimentos independentes de professores: MUP (Mobilização e Unidade dos Professores), APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino) e movimento PROMOVA.
Segundo Ana Drago, a educação é uma área prioritária. "É uma das matérias em que mais temos de trabalhar", disse.
Será sensato que um país com o tamanho do nosso se aventure para fora da cauda da Europa? É importante não esquecer que é com a cauda que se enxotam as moscas. E que a cauda consegue enxotar tudo, menos o que está na cauda.